Informativo Mensal sobre temas ligados à Saúde Ocupacional e Segurança no Trabalho, Segurança em Transportes, Meio Ambiente e Direito Ambiental - fevereiro 2018- Ed. 187

REPORTAGEM ESPECIAL: 12 TENDÊNCIAS PARA 2018 QUE NOS FAZEM ACREDITAR EM UM MUNDO MELHOR

Lista foi elaborada pela ONG ambientalista Nature Conservancy

1 - Salvação para os oceanos

As águas internacionais, que não estão dentro da fronteira de qualquer país, formam metade do nosso planeta, ou dois terços dos oceanos. Por não ter “dono”, geralmente são as mais castigadas, sofrendo com poluição e pesca predatória. No fim de 2017, porém, 140 países apoiaram uma resolução das Nações Unidas que visa regulamentar as ações antrópicas nessa “água de ninguém”. A ação foi costurada por cerca de uma década,e agora chegou o momento dos países trabalharem em suas versões de um acordo formal, que será discutido ao longo de quatro reuniões. A primeira acontecerá em setembro. A meta é que um tratado internacional, uma espécie de “Acordo de Paris dos oceanos”, seja assinado em 2020. As negociações prometem ser complicadas, como sempre, mas é fundamental, isso se ainda quisermos que os oceanos continuem provendo comida, absorvendo carbono, regulando o clima e preservando a biodiversidade.

2 - Natureza é questão de saúde pública

Uma mudança nas práticas de saúde pública começa a aparecer em grandes centros urbanos. Governantes e gestores de saúde começam a observar as conexões entre a saúde humana e a natureza. Cidades como Joanesburgo, na África do Sul, e Seul, na Coréia do Sul, determinaram grandes objetivos de plantio de árvores e preservação de espaços verdes como forma de combater a poluição do ar, que está associada a milhões de mortes prematuras todo ano. Nos Estados Unidos, seguradoras e planos de saúde estão investindo em em espaços verdes em áreas urbanas como forma de cuidado preventivo. Em Louisville, no Kentucky, o primeiro teste clínico controlado está em curso para avaliar o impacto das árvores na saúde. Enquanto isso, pesquisas sobre o significado das bacias hidrográficas para a saúde rural poderiam impulsionar a cooperação entre profissionais globais de saúde, desenvolvimento e conservação.

3 - Dinheiro produtivo

Investimento de impacto é um termo cunhado dez anos atrás para se referir a ações que, além de gerar lucro, deixam benefícios mensuráveis para a sociedade ou meio ambiente. Ao longo tempo, no entanto, apenas iniciativas de menor escala apostaram nesse tipo de negócio. O sucesso, porém, já começa a atrair a atenção de grandes fundos de investimentos, apostando em áreas como segurança alimentar e hídrica, e resiliência climática. Se a tendência se mantiver, investimentos privados podem preencher uma lacuna de US$ 300 a US$ 400 bilhões nas necessidades globais de financiamento para a conservação.

4 - Novos atores contra o aquecimento global

Líderes estão emergindo contra as mudanças climáticas. Seis países da União Europeia, incluindo Grécia e Hungria, atingiram suas metas contra o aquecimento global antes do esperado, enquanto a China, apesar de ser a maior poluidora do mundo, já atingiu um de seus objetivos, de impedir que suas emissões de CO2 cresçam, e tem planos de criar o maior mercado de carbono do mundo, além de manter o maior programa de reflorestamento da história. Seu objetivo é se tornar como um líder na luta contra o aquecimento global.

5 - Soluções naturais

Combater as mudanças climáticas envolve dois desafios. O primeiro é remover o dióxido de carbono já presente na atmosfera, o segundo é evitar novas emissões. A boa notícia é que a tecnologia para atingir o objetivo já existe, é barata e todo mundo conhece: a própria natureza. Um estudo que contou com a participação de cientistas de 16 instituições de pesquisa indicou que “soluções climáticas naturais” poderiam representar 37% da mitigação de dióxido de carbono de forma custo-efetiva até 2030, aumentando em 66% as chances de conter o aquecimento global abaixo dos 2ºC nesse século. Maximizar essas soluções, que envolvem a restauração e gerenciamento de florestas, campos, terras agriculturais e pântanos para armazenar e evitar as emissões de gases do efeito estufa, seria o equivalente a parar de queimar todo o petróleo consumido no mundo. Com sustentação científica, crescem as iniciativas para financiar essas “soluções naturais”.

6 - A importância do solo

Solos saudáveis são responsáveis, além de nos fornecer comidas nutritivas, por limpar a água e aprisionar carbono da atmosfera. Melhorar o solo contribui para o sucesso de iniciativas para a segurança hídrica e alimentar, saúde humana, além de estar intrinsicamente ligado às “soluções climáticas naturais”. Muitos cientistas apostam que um entendimento melhor do papel do solo na estabilidade climática e na resiliência da agricultura vai promover uma mudança de paradigma na forma como alimentamos o mundo.

7 - Convivência com a natureza

Enquanto países como a Holanda estão acostumados trabalhar com a água e a natureza, as mudanças climáticas estão mobilizando comunidades ao redor do mundo a seguir o exemplo. Filadélfia e em Seattle, nos Estados Unidos, e em Shenzhen, na China, estão criando valas de infiltração de água, jardins de chuva, restaurando pântanos e outros espaços verdes para gerir as águas da chuva, recarregar aquíferos, e reduzir enchentes e a poluição.  Outras cidades estão criando fundos para investir em ações que preservam os mananciais de água enquanto melhoram a saúde e bem-estar das comunidades locais. Enquanto isso, em cidades costeiras, cresce a aposta na preservação de mangues, dunas e recifes para se protegerem de enchentes, erosão, e tormentas marítimas. Investir em sistemas naturais traria benefícios significativos para a conservação.

8 - Tudo são dados

Se muitos ainda se assustam com as novas tecnologias, tudo depende da forma como são utilizadas. Drones e o mapeamento genético, por exemplo, estão proporcionando a possibilidade de recolher mais informações sobre a conservação da natureza que nunca antes. A inteligência artificial também está tendo um impacto radical na sustentabilidade, como com a agricultura de precisão.

9 - Corporações verdes

O alinhamento do setor privado com acordos globais, como o Acordo de Paris, é um sinal importante do comprometimento com os desafios ambientais mais urgentes. Um exemplo veio de Laurence Fink, CEO da BlackRock, maior gestora de ativos financeiros no mundo, mandou uma carta aberta em que convida mil CEOs em todo o mundo a fazer maiores contribuições para a sociedade.

10 -  Energia limpa de verdade

Previsões globais garantem que 80% dos novos investimentos em geração de energia irão para as renováveis ​​à medida que se tornem economicamente viáveis. Mas os especialistas alertam que, se essas instalações de energia não forem localizadas com cuidado, os benefícios ambientais da baixa emissão de carbono podem ser dificultados pela perda e perturbação do habitat em serviços críticos do ecossistema. Por exemplo, as represas hidrelétricas planejadas poderiam fragmentar 300 mil quilômetros de rio e o desenvolvimento de terrenos para energia solar e eólica faz com que a produção de energia seja o maior fonte de mudança no uso da terra nos Estados Unidos. A boa notícia: através de esforços de planejamento em larga escala e mudanças nas práticas de desenvolvimento da implantação e da rede, podemos minimizar o impacto nos habitats, potencializando a aceitação de fontes de energia limpas. E a mudança pode estar em andamento. Nações como a Colômbia e Mianmar estão adaptando as abordagens da escala de sistema para a gestão de energia hidrelétrica e de água que equilibram a geração de energia e a saúde do rio. Muitas regiões dos Estados Unidos estão mudando as práticas de implantação eólica e solar para evitar a interrupção dos habitats vitais.

11 - Redefinindo o design verde

Prefeitos, planejadores e arquitetos reformulando o conceito de "cidade sustentável", ampliando a definição de eficiência energética e pegada de carbono para incluir o foco na funcionalidade e habitabilidade das cidades para as pessoas e, em maior medida, outras espécies. A rede de 100 cidades resistentes da Fundação Rockefeller , está na vanguarda de uma abordagem de futuro que visa proteger os moradores de ameaças como mudanças climáticas. Tais esforços podem ser vistos como um movimento em direção às "cidades de escala humana", mas não deve excluir o papel que os ecossistemas naturais para atingir esses objetivos. Um crescente movimento de "cidades biofílicas", por exemplo, enfatiza a importância de incorporar a natureza para uma variedade de propósitos, desde a proteção da biodiversidade, a estética, até a saúde e a infraestrutura.

12 -  Uma última coisa

Enquanto observamos tendências positivas, ainda temos um longo caminho a percorrer em objetivos globais compartilhados. O Acordo de Paris é o piso, não o teto, para a ação climática global, e devemos nos esforçar coletivamente para fazer mais se quisermos evitar mudanças climáticas crescentes. Muitos países e corporações ainda estão atrasados ​​em compromissos já assumidos. Nas metas globais para as florestas: a perda de cobertura de árvores atingiu um recorde de 29,7 milhões de hectares em 2016, uma área do tamanho da Nova Zelândia - e 51% superior ao ano anterior. Este deve ser um ano em que aceleramos os esforços em todos os setores para transformar a maré e começar a cumprir metas globais, ao mesmo tempo em que aumentamos o investimento em responsabilidade, pesquisa científica, inovação e soluções do mundo real em todos esses campos.

Fonte: Galileu



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